Eduardo Moura será palestrante na Conferência Internacional 2012 da TOCICO.

“Paper” de Eduardo Moura foi escolhido para ser apresentado na Conferência Internacional 2012 da TOCICO. Ao nos comunicar a notícia que nos encheu de orgulho, Carol Ptak (General Manager da TOCICO) disse: “Este ano recebemos propostas de temas como jamais tinha ocorrido, o que tornou o processo de seleção ainda mais difícil. Parabéns por ter sido escolhido!”.

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Você gerencia seu pessoal?

Se sua resposta foi “sim”, aconselho-o a deixar de fazê-lo! Leia isto: “Livremo-nos do gerenciamento de pessoal. As pessoas não querem ser gerenciadas; elas querem ser lideradas. Quem jamais ouviu falar de um gerente mundial? Líder mundial, sim. ... A cenoura sempre vence sobre o chicote: pergunte ao cavalo.” Assim diz o trecho de um poema na página 99 do excelente livro “Human Motivation”, do Prof. Yoshiyo Kondo. Mas o fato é que  a função de gerente está intimamente relacionada com a atividade de controle, entre outras.

Afinal, um gerente é cobrado pelos resultados que consegue. Idealmente, os resultados obtidos por um grupo de pessoas, sob o comando de um gerente, deveriam ser previsíveis e cada vez melhores. Para isto, o gerente deve assegurar que pelo menos dois requisitos sejam satisfeitos: primeiro (considerando a previsibilidade), que as coisas certas sejam feitas, e segundo (considerando a melhoria) que sua equipe possa contribuir com idéias. Até aqui tudo bem. O problema começa a partir deste ponto... Para cumprir com o requisito de assegurar que as coisas certas sejam feitas, o gerente sente que deve exercer controle sobre seu pessoal, mas para cumprir com o requisito de contar com as idéias do seu pessoal, ele reconhece que não deveria exercer controle sobre ele. Diante deste dilema (controlar ou não controlar o pessoal) existem alguns estilos que os gerentes tendem a adotar, dependendo do ambiente organizacional em que se encontram e de suas próprias características pessoais:
  • O autocrata: aquele que crê (erroneamente) que sem controlar as pessoas não é possível gerenciar (porque sem controle as pessoas “folgam”). Portanto, o autocrata trata de exercer um controle rigoroso do pessoal (sacrificando o exercício da criatividade no trabalho). Mas... isto produz subordinados submissos, sem iniciativa, e portanto desmotivados, pois tudo tem que passar pelo crivo do chefe.
  • O populista: aquele que crê (corretamente) que o controle sobre as pessoas pode inibir sua criatividade (pois o controle direciona as pessoas à estrita execução do que foi planejado, e não ao questionamento e inovação de como as coisas são feitas). Então o populista tende a deixar tudo para que o pessoal decida (sacrificando a execução correta ou a tempo) . Mas... isto acaba produzindo um grupo de vedetes, verdadeiras ilhas auto-suficientes que não compartem um objetivo comum e que não desfrutam do sentimento de realização coletiva.
  • O contador de placar: aquele que crê que no fundo o que interessa é que os resultados sejam atingidos (uma meia-verdade ou uma semi-mentira). Este age da seguinte maneira: primeiro, anuncia as metas ao pessoal e depois de um tempo aparece para cobrar seu cumprimento, com premiação para os ganhadores e punição para os perdedores. Mas... isto tende a gerar um ambiente de medo, quando as metas são impostas (e isto sem falar na “maquilagem” de números para evitar a punição) ou então um corporativismo produtor de metas conservadoras, fáceis de conquistar (quando se deixa por conta do pessoal a definição das metas).

O ponto comum entre estes três estilos bem diferentes é que todos trazem consigo um “mas...”, porque na verdade eles não resolvem o conflito. Felizmente, o poeminha do início traz a simplicidade da solução eficaz, capaz de eliminar o conflito pela raíz: saia do falso dilema de controlar ou não as pessoas. Em vez disso, lidere-as. Capacite o pessoal, desenvolvendo seu potencial criativo. Dê-lhes ferramentas e recursos adequados de trabalho, incluindo tempo para criar coisas novas. Então transmita-lhes de modo bem claro (e firme) não apenas quais são os objetivos, mas também o porquê eles são necessários, e quais restrições temos que observar no caminho. Ao mesmo tempo, dê ao pessoal ampla autonomia para discutir e definir em equipe a melhor forma de realizar o trabalho e atingir os objetivos, dando-lhes todo o apoio para isto. Exerça controle apenas sobre os resultados, e oriente a correção de rumo, quando necessário. É a execução do trabalho que necessita de controle, não as pessoas que executam o trabalho. Em suma: gerencie coisas; lidere pessoas. Colocar isto em prática faz uma enorme diferença!

Até a próxima semana!

Eduardo C. Moura

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