Eduardo Moura será palestrante na Conferência Internacional 2012 da TOCICO.

“Paper” de Eduardo Moura foi escolhido para ser apresentado na Conferência Internacional 2012 da TOCICO. Ao nos comunicar a notícia que nos encheu de orgulho, Carol Ptak (General Manager da TOCICO) disse: “Este ano recebemos propostas de temas como jamais tinha ocorrido, o que tornou o processo de seleção ainda mais difícil. Parabéns por ter sido escolhido!”.

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Por que estamos indo bem?

“Hoje não é suficiente saber que algo está funcionando. É preciso saber por quê funciona.” (A. C. Daniels)

Diante da dificuldade, do problema ou do fracasso, é natural que se faça a pergunta “por que?”. Afinal, é praticamente impossível resolver uma situação problemática se não entendermos e atuarmos sobre suas causas. Ainda que seja penoso expor e discutir as falhas que levaram ao problema, reconhecemos que é necessário aprender com os erros, e por isso perguntamos “por que?”. O que não é comum é fazermos esta pergunta quando tudo vai bem!

Numa época não muito distante, isto talvez não fosse importante. Há poucas décadas atrás, as oportunidades abundavam e praticamente tudo o que se plantava florescia. Mas na economia globalizada de hoje, com produtos e serviços vindos de todos os cantos do planeta e oferecidos aos nossos clientes em nosso próprio mercado, se deixarmos para perguntar “por que?” somente quando as coisas vão mal, pode ser tarde demais. Hoje em dia a palavra proatividade (a virtude de agir antecipadamente, sem esperar que as coisas aconteçam) não é apenas um jargão elegante para ser usado em conversas de salão; é uma necessidade vital. Então não podemos mais nos contentar apenas em estar informados sobre os resultados e concluir com alívio: “está tudo bem”. Além de constatar que está tudo bem, é preciso saber explicar o porquê. E, ao responder, não caiamos na armadilha da tautologia: não vale dar como resposta “estamos bem porque os resultados confirmam isto”, ou “vamos indo bem porque superamos as metas”. Continuemos corajosamente perguntando “por que?”. Deveríamos ser capazes de associar os bons resultados a uma cadeia de causa e efeito previamente concebida e cuidadosamente desenvolvida para produzir o que hoje se observa. Mas receio que isto seja raro. Talvez seja mais provável constatar, com surpresa, que tudo vai bem por mero acaso circunstancial, ou por obra da misericórdia divina. Também é possível descobrir que, apesar dos números estarem bem, os comportamentos estão mal, isto é: a maneira como as pessoas agem para atingir os resultados não é correta, coerente, e portanto pouco confiável quanto à sustentabilidade dos resultados futuros.

Não podemos gerenciar apenas com base em resultados; é muito arriscado. Pense bem: se tudo vai bem, sem qualquer problema ou aspecto a ser melhorado, das duas uma: ou conseguimos criar a empresa perfeita (uma impossibilidade física, considerando a imperfeição humana) ou estamos diante de uma empresa com muitos problemas ocultos. Logo, se não há problema, não é porque eles não existem; é porque não temos ou perdemos a capacidade de detectá-los. E este talvez seja o maior problema! Concluindo: pergunte “por que?” sempre e incansavelmente, mesmo diante das coisas boas. Se não há problema, é problema...

Até a próxima semana!

Eduardo C. Moura

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