Eduardo Moura será palestrante na Conferência Internacional 2012 da TOCICO.

“Paper” de Eduardo Moura foi escolhido para ser apresentado na Conferência Internacional 2012 da TOCICO. Ao nos comunicar a notícia que nos encheu de orgulho, Carol Ptak (General Manager da TOCICO) disse: “Este ano recebemos propostas de temas como jamais tinha ocorrido, o que tornou o processo de seleção ainda mais difícil. Parabéns por ter sido escolhido!”.

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Mudança, melhoria e gerência

Dizem que a única coisa constante é a mudança. Isto é bem verdadeiro para aquelas mudanças externas ao sistema de negócio. Mas quando aplicado intencionalmente pela gerência para promover mudanças internas na empresa, que pena. Pode ser desastroso... “Conheçam a nova visão da empresa”; “aprendam nossos novos valores”; “conheça nossa nova estrutura matricial”; “nosso slogan para este ano é...”; “participe do novo programa de ...”. Chega. Não precisamos de mudança. Primeiro, há certas coisas que não deveriam mudar, ou mudar muito raramente. Valores, por exemplo. Missão e visão de longo prazo, outro exemplo. Alguém já disse que as coisas realmente importantes são as muito antigas. Segundo, o que realmente precisamos é de melhoria, sempre. Mudança e melhoria não são sinônimos.

É verdade que toda melhoria é uma mudança (aliás, a definição popular de insanidade mental é querer melhorar sem mudar, fazendo tudo do mesmo jeito de sempre). Mas infelizmente a maioria das mudanças por aí não são melhorias, ainda que sejam feitas com a melhor das intenções. Qual é a diferença fundamental? As próprias palavras explicam: melhoria traz consigo um resultado superior, enquanto a mudança por si só, não. Mudar, do ponto de vista “gerencial”, é fácil: basta decidir rapidamente que “queremos isto” (por exemplo, copiar o mais recente modismo empresarial) e dar a ordem para que se cumpra nos escalões inferiores. Em sua forma mais freqüente, a mudança é uma proposta de solução. Mas... qual é o problema? Temos uma capacidade fantástica para oferecer soluções, e uma dificuldade enorme para enfrentar a disciplina e o rigor da análise. Melhorar é bem mais complicado, justamente porque antes de propor e implementar a solução que leva ao resultado, é preciso analisar a situação, entender profundamente o problema e identificar suas causas raízes com absoluta clareza. Isto “dói”, mas constitui a própria essência da verdadeira função de gerenciar. Engraçado: aqui o dicionário não ajuda: “gerente” é definido como “pessoa que exerce a gerência”, “gerência” se define como “o ato de gerenciar” e “gerenciar” é definida como “exercer as funções de gerente” (um belo exemplo de tautologia, ou raciocínio circular...). Deming diz que “gerenciar é fazer uma previsão sobre o estado futuro do sistema”. Mas é preciso ir além da previsão. Juran (do alto de seus 103 anos de vida!) complementa com sua “trilogia”: “gerenciar envolve planejar, controlar e melhorar”.  De maneira mais concisa, eu (modestamente) definiria “gerenciar” como promover melhorias sistêmicas, continuamente.  Mas isto é assunto para outro texto.

 

“Melhoria contínua é necessária, não a mudança contínua. Mudança sem necessidade é desperdício.”
(Ken Kreafle, Gerente Geral da Engenharia de Produção, Toyota USA)

Até a próxima semana!

Eduardo C. Moura

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